BEBÉS E FRONTEIRAS

Esta é uma época do ano repleta de rituais, simbolizando esperança, renovação e celebração comunitária, em especial por ocasião da passagem de ano: o inevitável fogo de artifício, os brindes com espumante, a contagem regressiva dos últimos segundos do ano velho, as dozes passas de uva ao soar das doze badaladas, a maratona de São Silvestre, a ceia farta, a gritaria dos foliões, o bater da meia-noite ao som nostálgico de “Auld Lang Syne” (“Chegou a Hora do Adeus”, na versão portuguesa), os balanços de fim-de-ano, as promessas para o ano novo, o primeiro banho de mar…
E a tudo isto acresce, com ampla cobertura mediática, a atribuição do controverso título de “primeiro bebé do ano”, aquele que desembarca no mundo breves minutos, quando não mesmo escassos segundos, depois da chegada do novo ano.
Fossem as fronteiras autorizadas a competir nesta peculiar competição de chuchas, fraldas e biberões, algumas delas seriam fatalmente “bebés do ano” por direito próprio, arrasando toda a concorrência de precoces recém-nascidos.
É que, na verdade, diversos países, e com eles as respectivas fronteiras, nasceram às zero horas de 1 de Janeiro, tornando-se independentes desde esse preciso momento.
As fronteiras do Sudão (primeiro bebé à esquerda, na imagem) nasceram às zero horas do dia 1 de Janeiro de 1956 e separam este país (até então submetido ao domínio egípcio-britânico) dos vizinhos territórios da Líbia, Chade, Egipto, República Centro-Africana, Etiópia, Eritreia e (desde 2011) Sudão do Sul.
As fronteiras do Brunei (territoriais, com a Malásia, marítimas, no mar da China Meridional) nasceram às zero horas do dia 1 de Janeiro de 1984, quando este novo país asiático se emancipou do Reino Unido.
As fronteiras da Eslováquia nasceram às zero horas do dia 1 de Janeiro de 1993, quando se verificou a dissolução da Checoslováquia e a consequente (e pacífica) cisão entre a República Checa e a Eslováquia, cujas fronteiras separam esta última da Áustria, da Hungria, da Ucrânia, da Polónia e, claro, da pátria-gémea, República Checa.
E, finalmente, as fronteiras dos Camarões nasceram às zero horas do dia1 de Janeiro de 1960, quando cessou o domínio francês naquele território africano, e separam este país (a que posteriormente se juntou, por plebiscito, a região antes controlada pelos britânicos) da Nigéria, do Chade, da República Centro-Africana, da República do Congo, do Gabão e da Guiné Equatorial.
Consumada que está a travessia da fronteira entre 2025 e 2026, resta-me desejar a todos um Feliz Ano Novo, que faça jus ao título de uma canção celebrizada por Frank Sinatra: “The Best Is Yet To Come”.
Zépestana | 04 jan 2026